Antônio Eustáquio Trindade Ribeiro. Este é o nome de batismo do compositor e, com absoluta certeza, o leitor desta coluna sabe de cor pelo menos meia dúzia de sucessos. Que está há 30 anos em todas as rodas de samba da cidade. E não apenas suas músicas, mas ele mesmo, em carne e osso e com uma cerveja na mão. O entrevistado de hoje, com muito orgulho, é ninguém menos que Toninho Geraes. Está lançando seu novo disco, “O Amor dos Poetas”, onde pratica como poucos os ensinamentos dos conterrâneos Milton Nascimento e Fernando Brant, que declararam na década de 80: “Todo artista tem que ir onde o povo está”. E é assim que, com a alma cheia de chão, iniciamos a conversa de hoje. Toninho, como você pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo? Parece o samba de Zeca e Dudu Nobre. Se eu for na Mangueira, você está lá. Se eu for para a Portela, você está lá. Você vai no Cacique de Ramos, você vai no Estácio de Sá (risos). É o que eu gosto de fazer. Samba, bar, rua, gente… Essa é a minha vida. Nunca tinha parado para pensar nisso, mas na verdade acho que me dou bem nesta cidade (risos). Estou sempre lá. Sei que não parece, mas também fico em casa de vez em quando. Muito ocasionalmente, certo? Alguns dias por semana (risos). É essa perambulação pelas ruas que te inspira a compor tantos sucessos que estão na boca de todo mundo? A vida acontece na rua, não nas redes sociais. Várias músicas que tirei de conversas que tive na rua. Teve uma vez que uma mulher me parou no samba e disse que eu conhecia todos os Paranauês do coração dela. Eu perguntei: “De onde você tirou essa frase?” Ela respondeu: “Simplesmente me veio à mente”. Pedi então a frase de presente e compus “Paranauê do Coração” junto com meu parceiro Chico Alves. “If the Line Moves” parece ter sido assim também. Toda a letra é típica de alguém andando na rua. E não foi? Como você sabe? Eu estava em Niterói e me convidaram para ir à Toca da Gambá. Eu disse que não iria porque encontraria uma ex-namorada nos braços de outra pessoa e que era melhor ir para casa, porque todo mundo tem medo de encontrar o seu amor nos braços de outra pessoa. Se a ideia for boa, se o cavalo passar uma vez na minha frente, eu monto nele porque ele pode não passar de novo. Se tenho uma inspiração, escrevo-a imediatamente. E esse novo trabalho? É muito legal. Também quero mostrar um pouco do meu lado cantor. Graças a Deus tenho muitas músicas que viraram sucesso com Zeca (“Toda hora”, “Seu balancê” e “Pago pra Ver”), Beth (“Se a fila andar”), Diogo Nogueira (“Alma Boêmia”), mas eu Também traz “Um samba de saudade”, linda canção gravada por Casuarina e Arruda. Tem “Maria, Mariazinha”, que contou com a participação do recém-falecido Anderson Leonardo, do Grupo Molejo. Tem o “Samba Guerreiro”, que ganhou seu primeiro álbum com a voz de Jovelina… Voltando à rua, às rodas de samba, você acha importante dar um impulso também para quem está começando? Quem foi o grupo que te ajudou quando você estava começando? Meriti, Ivan Marujo que me ensinou a compor. Eu era muito ruim cantando, tocando, compondo, mas segui os ensinamentos do mestre, que era da Unidos da Ponte e da Mangueira onde eu morava. Fiquei um tempo na casa dele e aprendi muito lá. E foi enquanto eu me divertia numa roda no Império Serrano que o Jorge, da gravadora EMI, me viu e me pediu para gravar um disco, que ganhou disco de ouro. Não vou esquecer essas pessoas. Você fez uma “ação de marketing” muito legal lá atrás também. Ele levava seus CDs para rodas de samba e distribuía, né? Fiz muito isso, principalmente com o disco Preceito, que lancei pela Sony em 2010. Dei o CD para que as pessoas conhecessem minhas músicas novas. E acho que funcionou. No outro círculo as pessoas já conheciam minhas músicas (risos). Se você tivesse que fazer um pequeno passeio pelas rodas de samba da cidade, para quem está chegando agora, turista, ou mesmo para quem quer conhecer mais sobre esse universo, quais você recomendaria? Ah, tem muita coisa boa. Renascença, é claro. Também não há como errar com o Beco do Rato. Todo dia tem samba de qualidade. Ninguém que gosta de samba pode vir ao Rio e não visitar o Beco do Rato. A Carioca da Gema é outro lugar que respeita o bom samba e todos deveriam saber disso. Beep Beep, às quintas também. Mas é uma proposta diferente. Algo mais íntimo. Taberna da Vila, em Vila Isabel. No Centro, nos finais de semana, sempre tem coisa boa na Rua do Ouvidor, no Samba do Peixe e também no Samba do André Diniz. E tem muita coisa boa pela cidade. Outra coisa que você gosta é do bar. Qual é o seu lanche favorito? O que não pode faltar na mesa de Toninho Geraes? Sempre fui cervejeiro, certo? Mas agora estou fazendo uma pausa. Você parou de beber? Parei, não. Estou fazendo uma pausa. Mas na cerveja. Agora estou no momento da caipivodka (risos). Mas gosto de muitas coisas. Dos tradicionais, o que não abro mão é o cabrito da Capela, na Lapa. Outro lugar que gosto muito é o Armazém do Gomez, em Santa Teresa. Momo, na Tijuca, Taberna da Vila, mas aquela joelhada no Enchendo Linguiça, no Grajaú, é sensacional. O que não pode faltar na minha mesa é carne de porco. Então podemos finalizar… você desistiu do Vasco? Pelo contrário. Estou sempre em São Januário, no Maracanã. E agora tenho até um sobrinho, o Thiago, que joga futsal no Vasco. Estamos melhorando aos poucos. Já saímos da zona de rebaixamento e agora temos que pensar no Liberta.
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