O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, discursou neste sábado (24) na conferência anual do Federal Reserve (autoridade monetária dos Estados Unidos, o Fed) em Kansas City, em Jackson Hole. Lá, nos alpes nevados do estado americano de Wyoming, ele apresentou duas preocupações principais sobre os rumos da inflação no Brasil – relatam agências internacionais.
As falas foram feitas em meio a dúvidas sobre os próximos passos a serem dados pela Selic. Na ata da última reunião, o BC sugeriu duas possibilidades para atingir a meta de inflação de 2% ao ano no primeiro trimestre de 2026. Em um deles, mais ameno, a alíquota básica permaneceria nos atuais 10,50% ao ano até onde a vista alcança. No outro caso, mais difícil, seria necessário um impulso ascendente nos próximos meses.
Nas últimas semanas, a retórica de Campos Neto e de seus dirigentes pesou mais sobre essa segunda possibilidade. E, assim, os ativos negociados no Brasil já incluem a estimativa de aumentos sequenciais a partir de setembro, em direção às proximidades de 12% ao ano a serem alcançadas no início de 2025.
As duas pedras no caminho
Uma das pedras, segundo reportagem da Bloomberg, seria o aquecimento do mercado de trabalho.
Em termos gerais, quanto mais vagas existirem em relação ao número de trabalhadores disponíveis, maior será a pressão ascendente sobre os salários. Isso porque, à medida que há mais cargos, aumenta o poder de barganha dos potenciais colaboradores. Os empregadores acabam pagando salários mais altos para atrair funcionários dos concorrentes. Como resultado, o poder do consumidor aumenta mais do que a oferta de bens e serviços. Resultado? Mais inflação.
“Tem sido um desafio ter um processo de desinflação com um mercado de trabalho em expansão, especialmente em mercados emergentes como o Brasil”disse a autoridade monetária, ampliando preocupações que já eram comuns nas comunicações oficiais em toda a América Latina.
O outro ponto é antigo e conhecido na economia brasileira. O sentimento de risco fiscal entre os investidores.
Aos olhos da maioria dos participantes no mercado global, é importante saber se, ao longo do tempo, os governos serão capazes de honrar os seus compromissos futuros – incluindo pagar aqueles que financiam a máquina estatal através da compra de obrigações. Quanto maior for o saldo negativo projectado ao longo do tempo entre receitas e despesas, maior será a exigência de prémio para manter dinheiro nestes países.
Em suma, quanto maior for o risco fiscal, mais juros serão necessários para reter dólares numa economia. Se não forem oferecidos, o êxodo será maior. Mais escassos, os dólares ficam mais caros, assim como os insumos importados e, consequentemente, os preços dos produtos finais. E, voilà, a inflação toma forma através das taxas de câmbio.
Neste ponto, Campos Neto esclareceu as transferências de renda potencializadas durante a pandemia. Sua preocupação é o dia seguinte, por assim dizer. Quantos programas acabaram se tornando permanentes ou até mais abundantes quando passou o pior da crise. Segundo a Reuters, Campos Neto alertou que, hoje, 50 milhões de brasileiros estão “ganhando dinheiro do governo, em comparação com 43 milhões de pessoas que são funcionários e empresários”.
Ele literalmente não mencionou o atual governo nem o programa Bolsa Família. Mas para um conhecedor, uma gota é uma carta, certo?
“Precisamos de pensar numa estratégia precisa e compreender a eficiência destes programas governamentais, especialmente nos países de mercados emergentes, e o que isso tem feito à dívida”, disse ele. “Acho que precisamos começar a comunicar melhor a alocação incorreta de recursos.”
Para ver como essas preocupações serão ou não levadas em conta no próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), no dia 18.
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